A formiguinha e a Neve – Teatro

01 Jan de 2007
A FORMIGUINHA E A NEVE
Narrador – Certa manhã de inverno uma formiguinha saiu para seu trabalho diário. Já ia muito longe a procura de alimento, quando de repente um floco de neve caiu e prendeu seu pezinho. Aflita vendo que não podia se livrar da neve, e iria assim morrer de fome e frio, voltou-se para o sol e disse:
Formiga – Hó sol, tu que és tão forte, derrete a neve que prendeu o meu pezinho.
Narrador – E o sol indiferente nas alturas falou:
Sol – Mais forte do que eu é o muro que me tapa.
Narrador – Olhando então para o muro a formiguinha pediu:
Formiga – Hó muro tu que és tão forte que tapas o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – E o muro que nada vê e muito pouco fala, respondeu apenas:
Muro – Mais forte do que eu é o rato que me rói.
Narrador – Voltando-se então para o ratinho que passava apressado, a formiguinha suplicou:
Formiga – Hó rato, tu que és tão forte, que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – Mas o rato que também ia fugindo do frio gritou de longe:
Rato – Mais forte do que eu é o gato que me come!
Narrador – Já cansada a formiguinha pediu ao gato:
Formiga – Hó gato, tu que és tão forte, que comes o rato, que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – E o gato sempre preguiçoso disse bocejando:
Gato – Mais forte do que eu é cão que me persegue…
Narrador – Aflita e chorosa a pobre formiguinha pediu ao cão:
Formiga – Hó cão tu que és tão forte que persegues o gato, que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – E o cão que corria atrás de uma raposa, respondeu sem parar:
Cão – Mais forte do que eu é o homem que me bate.
Narrador – Já quase sem força, sentindo o coração gelado de frio a formiguinha implorou ao homem:
Formiga – Hó homem, tu que és tão forte que bate no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – E o homem sempre preocupado com o seu trabalho respondeu apenas:
Homem – Mais forte do que eu é a morte que me mata.
Narrador – Trêmula de medo, olhando para a morte que se aproximava a pobre formiguinha suplicou:
Formiga – Hó morte, tu que és tão forte que mata o homem que bate no cão que persegue o gato que come o rato, que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – E a morte que nada fala impassível respondeu…
Morte: – Mais forte do eu é Deus que me governa!
Narrador – Quase morrendo, então a formiguinha rezou baixinho…
Formiga – Meu Deus, o senhor, que é tão forte, que governas a morte que mata o homem que bate no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho?
Narrador – E então, Deus que ouve todas as preces sorriu, estendeu a mão por cima das montanhas, e ordenou que viesse a primavera.
No mesmo instante no seu carro vermelho a primavera desceu por sobre a terra,
enchendo de flores os campos, enchendo de luz os caminhos.
E vendo a formiguinha quase morta gelada pelo frio, tomou-a carinhosamente entre as mãos e levou-a para seu reino encantado, onde não há inverno, onde o sol brilha sempre e onde os campos estão sempre cobertos de flores.

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