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sábado, 10 de maio de 2014

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Desabafo

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Amanhã é Dia das Mães. Hoje é dia 10 de maio e faz um mês que eu perdi minha mãe. Isto não é uma homenagem, são só palavras que estão aqui entaladas. Você não precisa ler, eu só queria escrevê-las. 


Desde que mamãe se foi eu tenho uns momentos estranhos, geralmente quando estou completamente sozinha. Fico pensando, pensando, tentando achar uma saída, um jeito, sei lá... É com se eu ficasse o tempo todo, toda vez que me lembro, procurando e tentando dar um ctrl+z na situação, voltar no tempo, uma forma de isto tudo não ser verdade. 


Tá eu sei de todas as palavras usadas para esta hora, todas. Todos os hinos, todas as mensagens, cada versículo... eu mesma citei e ainda cito eles pra quem passa por isto. Também sei que ela está melhor lá, que vou me encontrar com ela e tudo mais... Não, não estou sendo cética, mas por mais que eu me esforce, estes momentos são inevitáveis. Aquela coisa ainda está no meu estômago, o nó ainda está na minha garganta e pelo jeito vai continuar por um tempo. Ou talvez pra sempre, só Deus sabe. Coisa de filha normal talvez, feita de carne e osso. Acho que temos em nós uma partícula da eternidade, por isto não nos conformamos com a morte quando ela chega.

Quando mamãe se foi, fomos na casa dela fazer umas 'mudanças', limpezas para o papai não sofrer tanto. E eu fiquei admirada com uma coisa que eu nunca tinha visto antes, parte da minha mãe que eu não conhecia. Mamãe tinha muitos, muitos recadinhos pra Deus. Eram tipo pedidos de oração, a maioria para mim, minha irmã e meu irmão. Eram muitos. Tinha um envelope na gaveta cheio deles. Mas eu fiquei mais admirada de ver quantos deles eram pra mim. Um deles era bem antigo: 'Jesus, cure o útero da minha filha'. Outro dizia: 'Para Deus curar minha filha Maristela das dores no corpo'. E outro: 'Para curar as dores nas pernas dela'. 

Talvez você nunca pensou ou imaginou minha mãe assim. O último bilhete achei recentemente, dentro da Bíblia pequena dela que veio parar aqui em casa. Este me fez chorar e não sai do meu pensamento. Dizia: 'Para Maristela Barbosa de Jesus Souza: para o Senhor dar sono'. Dar sono. É... dar sono! Uma coisa talvez tão pequena pra tanta gente, mas minha mãe se preocupou com isto! Ela poderia ter tanta coisa pra pedir pra ela, para seus projetos, pro meu pai, pro mundo... E ela se preocupou com isto? Acho que é isto que as verdadeiras mães fazem, se preocupam com os filhos e depois levam suas preocupações ao único que pode resolvê-las.

Isto é ser mãe. Ser mãe é deixar de viver pra gente, para viver para os filhos. No momento que aquele ser nasce, a gente simplesmente deixa de viver a nossa vida e começar a viver pra ele. Tudo gira em torno deles. Eu estava triste por minha mãe ter partido tão cedo, fiquei pensando se ela tinha sonhos. Sei lá, viajar, fazer compras num shopping, conhecer o mar... coisas simples que todo mundo tem vontade. Nunca vou saber. Daí eu me lembrei do que é ser mãe. Eu me peguei pensando que eu também sou assim. Não tem nenhum sonho ou projeto que meus filhos não estejam incluídos neles. Nenhum. Eles estão sempre lá no topo da lista. 

Isto me fez pensar em mim como mãe e nos meus sonhos. Aqueles que eu tinha quando criança ou que me faziam brilhar os olhos na juventude. Eu fui correndo lá na prateleira dos sonhos procurar os meus. Não os encontrei. Lá só estavam meus filhos. Minha riqueza. Minha felicidade. Meu sonho!

Sei que nunca vou poder dizer isto pra minha mãezinha. Como todo filho, ou como todo ser humano cheio de defeitos, eu também tenho meus arrependimentos. Sei que gastei a maior parte da minha vida com os outros: pessoas, casos, gente... minha mãe fez pouca parte da minha vida e quem me conhece sabe disto. Claro que eu estava sempre com ela, nas datas, alguns domingos. Mas eu queria estar mais. Eu sinto tanto! Mas eu sei que ela, como um exemplo de mãe que foi, entendeu isto, pelo simples fato de eu ser sua filha. E ainda orou por mim! Suas orações foram ouvidas e quase todas atendidas... 

Mas Deus é tão bom que sabia disto, e me proporcionou momentos únicos com minha mãe, mesmo no fim da sua vida. Eu pude cuidar dela, passar noites em claro, correr pra lá e pra cá, levar no banheiro, segurar sua mão, limpar sua boca incontáveis vezes durante aquela última noite que ela esteve consciente e tossindo muito, com muito sangue. Servi de apoio para ela encostar a cabeça durante a noite, porque não conseguia dormir deitada. Eu pude olhar seus olhos verdes pela última vez ou ver seu último sorriso na ambulância. Suas últimas palavras antes de entrar no coma induzido foram para mim. Forma momentos muito curtos. Mas únicos. 

Quanto ao fato de ela partir tão cedo, eu não falei, não comentei, não murmurei. Dizia o contrário pra meu pai, pra minha irmã, pra meu irmão... Mas lá no fundo, bem lá no fundo, eu fiquei dias 'brigando com Deus' sobre isto. Porque eu pedi pra ele deixar ela viver pelo menos mais alguns dias, eu implorei... eu não queria que ela fosse daquele jeito, naquela UTI, eu queria trazer ela pra casa viva, nem que fosse só por mais alguns dias. Eu tinha projetado tanta coisa pra fazer pra alegrar ela... eu sempre me via chegando com ela lá na casa dela. Eu queria ela só mais um pouquinho. Mas Ele não quis isto e eu preciso aceitar a vontade de DEUS. A vontade dele está acima da minha. Os pensamentos deles são muito maiores que os meus. Eu aprendi que minha mãe foi muito MÃE enquanto viveu aqui na terra. Foram dias curtos, simples, mas foram dias alegres, valiosos e inesquecíveis. Valeram a pena cada um deles! Eu vou seguir os seus passos!

Um conselho de mãe: quando você ver aquelas mensagens bonitas dizendo 'Dê valor enquanto tem', 'Diga que ama hoje', por favor dê atenção a isto. Faça. Fale. Porque tudo acontece muito rápido. Muito rápido. Você nunca acha que vai acontecer com você ou com sua família. Mas acontece.

Pra terminar, eu não vou ficar chorando no dia das mães porque sei que, por mais que eu me esforçasse, nunca poderia dar a ela um Dia das Mães melhor do que o que ela vai ter! Deus já preparou tudo, a melhor festa, o melhor presente!!! Não existe nada que possa ser comparado a isto. Nada!

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Comentários
3 Comentários

3 Recados:

Luciana Brito disse...

Nossa sua história é bem parecida com a minha...perdi minha mãe faz 2 anos e sei que Deus NOS conforta a cada dia e momento... Amei seu desabafo!!!

Andréia Souza disse...

Emocionante seu desabafo, que Deus conforte seu coração!!

Carolina Rodrigues disse...

Seu desabafo foi super emocionante!
Que Deus conforte seu coração e te dê força para continuar!
Saiba que sua mãezinha estará com Deus olhando por você e sua família!

Beijos com carinho

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